terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aquele Homem Groover



“Pedrinho vai ser papai” Quem diabos é Pedrinho? – Me perguntava. A idade nem me lembro, talvez uns sete, oito, ou mais, ou menos. Mas foi assim que Jorge Ben se apresentou feito uma explosão que ecoa até hoje nos meus ouvidos.

Depois dessa vieram outras histórias malucas, circos com comedores de raio-lasers, bulldogs violentos, Alquimistas silenciosos, e pontas-de-lança lá da África; Mulheres também foram muitas, Magnólia, Domingas, Jesualda, Tereza, e até uma moçoila belga chamada Ive Brussel; Isso sem contar os santos, orixás, e causos do líder Zumbi.

Era um negrinho miúdo de óculos escuros que tocava violão mais rápido do que qualquer outro da época, sem firulas, sem solos monumentais, e sem pretensão. Jorge Ben dizia que seu sonho na adolescência era tocar violão como João Gilberto. Tentou, buscou acordes diminutos, nonas invertidas, quintas desdobradas, mas não conteve sua mão direita que sacolejava incansavelmente sobre as cordas do instrumento. Então inventou, um novo jeito de tocar, um novo ritmo que misturava a sofisticação da bossa nova com a malandragem do samba.

E foi assim que Jorge Ben surgiu, modesto e magnífico. Destacou-se entre os grandes, Roberto, Erasmo, Tim, Gil, Chico; Caiu no ostracismo, mudou de nome, Ben Jor, voltou e continua mais vivo do que nunca, encantando e fazendo sambalançar todo bom cidadão de juízo que o escute.

Confesso, os hormônios da puberdade me levaram por um tempo à preferir as bandas de rock monossilábicas, mas como diz o ditado “O bom filho a casa torna”. Voltei, e fui muitíssimo bem recebido pelo querido mestre Jorge Ben. Chorei um pé na bunda ao som de “Cinco minutos”, superei  a tristeza com “Morre o burro fica o homem”, tomei cerveja com os amigos ouvindo “O homem da gravata florida”, e estudei filosofia com “Hermes trismegisto”

Como foi conhecê-lo?  Foi como ouvir “A tábua de esmeralda” pela primeira vez na inocência da infância. Jorge Ben faz bem, SALVE JORGE.

“Pletora de alegria, um show de Jorge Ben Jor” – Caetano Veloso.


(Bruno Ottenio)


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